Saúde

22 de Julho de 2021 - 12:07

Iabas terá que desfazer obra que obstruía a passagem de alunos da EMEI Regente Feijó

Uma comissão será formada por representantes dos conselhos da escola, unidade de saúde e equipamento de esporte para acomnpanhar o processo. Também será encaminhado um pedido do Conselho Municipal de Saúde ao TCM para esclarecimento do gasto com a obra inadequada.

Por Cecília Figueiredo, do Sindsep

 

O imbróglio causado pela gestão do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) na UBS Cambuci, que fechou a passagem dos alunos da Escola Municipal de Ensino Infantil (EMEI) Regente Feijó para o complexo cultural foi dirimido na última quarta-feira (21). 
 

Iabas fecha acesso de crianças para o teatro em EMEI no Cambuci

 

O problema, que já havia motivado um abaixo-assinado pela comunidade escolar, além de um protesto organizado pelas pastas de Educação e Saúde do Sindsep, na última sexta (16), e uma acalorada reunião no Conselho Gestor da UBS, na última terça (20), onde sobraram ataques à direção da EMEI e ameaças ao Sindsep, por parte do gerente da UBS Cambuci, foi pautado na reunião da Comissão Intraconselhos do Conselho Municipal de Saúde de São Paulo, e teve como encaminhamento que o "cômodo" deverá ser derrubado pela gestão do Iabas.
 
A solução foi apresentada pelo supervisor técnico de saúde (STS) Centro, Marcos Broitman, após a conselheira de escola, Claudia Patrocinio A. de Castro, relatar a situação arbitrária a que as crianças estavam sendo expostas e a dirigente do Sindsep, Flávia Anunciação, apresentar uma série de questionamentos à gestão e representante do Iabas presente à reunião.

“O Conselho Municipal quer que o gerente da UBS apresente as datas das reuniões com conselhos gestor da UBS e da EMEI, que ele afirma ter discutido e aprovado a construção, assim como cópias da ata e resolução disso”. A diretora, que é conselheira municipal de saúde, também cobrou a prestação de contas da obra e criticou a postura agressiva do gestor com a diretora da EMEI Regente Feijó e a jornalista do Sindsep, na reunião do Conselho Gestor da UBS, em 20 de julho.
 
“Pedimos cópia da gravação da reunião, porque além dessa postura, ele disse na reunião do conselho gestor que a Covisa concordou com o fechamento da passagem das crianças da EMEI. Queremos todos esses documentos no Conselho Municipal de Saúde e saber quem passou informações à Secretaria Municipal de Saúde sobre o acesso”, reforçou, ao criticar a postura autocrática do gerente e as informações equivocadas da Secretaria Municipal de Saúde, publicadas em nota na matéria do Agora SP, em 16 de julho, afirmando que a construção no acesso “não impede a passagem de pessoas da escola para o auditório”. “Antes, as pessoas da escola passavam pelo portão e seguiam pelo corredor da esquerda, por trás do prédio da UBS. Agora, vão seguir pela direita, pela frente da UBS.”
 
A passagem alternativa é um estacionamento de ambulâncias, que está sendo utilizado por tendas de vacinação e atendimento de casos suspeitos de Covid, além de ter o armazenamento de tubos de gás e lixo comum e hospitalar. 


Confira no vídeo a opção indicada como passagem



Passagem alternativa apresentada, após obstrução do acesso da EMEI.
 

Obra foi feita sem autorização da gestão, segundo supervisor
 
Em seguida, o supervisor técnico de saúde da SMS, Marco Broitman, disse que a obra foi “ruim" e sem o conhecimento da gestão municipal. “A supervisão não estava ciente e não autorizou. A coordenadoria (CRS Centro) não estava ciente e não autorizou. Fazer reunião sem a presença da supervisão e coordenadoria é como não fazer. Ele [gestor] não tem autonomia para decidir. Então, ele entra numa casa que não é dele; a UBS não é do Iabas, é da Prefeitura, dos usuários e trabalhadores; resolve fazer uma reforma sem perguntar ao dono da casa e vizinhos se vai incomodar? Tá completamente fora de questão. Foi uma conduta completamente inadequada. Não vou nem entrar no mérito se está autorizado ou não pela Covisa, até porque a UVIS também não estava ciente. Na minha avaliação, vai ter que desmanchar isso que foi feito [cômodo]”.
 


Reunião de intraconselhos do CMS, na quarta (21/07), teve presença de comunidade escolar, gestão e Iabas.
 
 
O supervisor disse ainda que a decisão já havia sido conversada com o gerente e coordenador no Iabas, e se comprometeu a encaminhar até o final desta semana ofício ao Iabas para que execute a derrubada da obra e se busque alternativas para a construção do DML (depósito de materiais de limpeza). “Qualquer alternativa de passagem deve ser buscada com os equipamentos vizinhos”, acrescentou.
 
A maioria das falas na reunião reforçou a falta de diálogo e respeito do gestor da organização social com o serviço público, e o pedido de saída do gerente, em razão de problemas no atendimento. 
 
O Conselho Municipal de Saúde avalizará a composição de uma comissão de trabalhadores, gestores e conselheiros da unidade escolar, balneário (que fica no mesmo terreno) e unidade de saúde para acompanhar o processo de desobstrução da passagem das crianças. 
 
Também foi aprovado o encaminhamento de pedido ao Tribunal de Contas do Município para esclarecimento de quanto foi gasto na construção. “Qualquer obra no serviço público deve obedecer a legislação”, frisou a dirigente do Sindsep.