Saúde

06 de Abril de 2020 - 09:04

Mais trabalhadores da saúde municipal são vítimas do Covid-19

É com tristeza e pesar que o Sindsep confirmou a notícia da morte por Covid-19 de dois trabalhadores da saúde municipal de São Paulo.

 

- Dr. Paulo Fernando Moreira Palazzo, 56 anos, médico do SAMU.


Neste domingo a valorosa equipe dos trabalhadoras e trabalhadores do Serviço Atendimento Móvel de Urgências - SAMU perderam o médico Dr. Paulo Palazzo, 56 anos.


Dr. Paulo atuava numa unidade de Suporte Avançado de Vida do SAMU na base do Tribunal de Contas do Município. Segundo o jornalista Leonardo Sakamoto (UOL) "De acordo com relatos de seus colegas, ele era de origem humilde e trabalhou sempre como plantonista e preceptor no Pronto Socorro do Hospital São Paulo. Deixa dois filhos." As 16 horas do domingo os "samuzeiros" fizeram uma manifestação em homenagem ao colega tocando as sirenes das ambulâncias da frota ao mesmo tempo.

- Luzanira Odílio, auxiliar de enfermagem do Hospital Municipal do Campo Limpo.


Segundo informações do Representante Sindical Douglas Cardozo, foi realizado um ato de homenagem da Equipe Hospital Municipal do Campo Limpo no plantão noturno da unidade neste domingo (foto: Felipe Santos).

 

O Sindsep manifesta sua solidariedade e pesar às famílias e amigos. Afirmamos que não esqueceremos nenhum dos colegas e lutaremos para honrar sua memória e para proteger todos os demais colegas que seguem na linha de frente do enfrentamento à pandemia.

 

Informamos que há o registro de outras mortes em outras unidades de trabalhadores que estamos apurando. Chamamos as trabalhadoras e trabalhadores à enviarem qualquer informação sobre colegas (servidores, trabalhadores das OSs e terceirizados) que tenham sido vítimas da Covid-19.

 

Mantemos o conteúdo da nota divulgada na última sexta-feira, (3.04) onde declarávamos acerca das mortes das trabalhadora e dos trabalhadores: Juraci Augusta da Silva (70 anos, enfermeira do Hospital Tatuapé), Idalgo Moura dos Santos (45 anos, enfermeiro no Hospital do Tatuapé),Eduardo Gomes da Silva (48 anos, auxiliar de enfermagem no Hospital Tide Setúbal); José Alves Galdino da Silva (38 anos, trabalhador terceirizado da vigilância do Hospital Municipal Dr. Benedicto Montenegro (Jardim Iva); José Antônio da Boa Morte (técnico de enfermagem em uma empresa de ambulâncias que atendia o serviço de saúde de São Paulo).

 

Na nota (3.04) declaramos que:

 

"(...) A direção do Sindsep afirma ainda que diante da pandemia, o governo municipal faz excesso de pirotecnia midiática, não foca na garantia dos recursos, investimentos e melhorias dos equipamentos públicos municipais e prefere destinar recursos sem controle público algum para entidades privadas, como organizações sociais da Saúde (OSS).

 

O Sindsep reafirma que a falta de equipamentos de proteção individual (EPI), álcool gel e outros insumos seguem sendo uma realidade nos equipamentos de saúde e demais serviços essenciais. Nos locais onde finalmente iniciou-se a distribuição de EPI foi principalmente pela ação das denúncias dos trabalhadores junto ao Sindsep e a cobertura dos meios de comunicação. Exigimos a capacitação e o treinamento formal de todos os trabalhadores das áreas essenciais no atendimento de casos de Covid-19, seguindo as normas estabelecidas pelas autoridades sanitárias, como Organização Mundial da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Mesmo com a manifestação de mais de 300 trabalhadores da prefeitura, integrantes do grupo de risco, a Secretaria Municipal de Gestão segue em silêncio até o presente momento. Motivo, aliás, que levou o Sindsep a representar contra a Prefeitura de São Paulo numa ação judicial que recebeu apoio do Ministério Públicos de São Paulo (veja mais: https://sindsep-sp.org.br/…/ministerio-publico-apoia-cobran…)

 

O Sindsep seguirá firme na batalha pela vida de todos os trabalhadores da saúde pública municipal, exigindo segurança, condições de trabalho e valorização.

 

Repudiamos toda tentativa de desvio dos fatos da realidade da saúde pública de São Paulo e desqualificação. As denúncias dos trabalhadores não são mentiras ou fakenews. São fatos. A divulgação de números de máscaras por parte da prefeitura esconde a ausência de proteção e de exposição dos trabalhadores que estão no front ao risco de infecção pelo coronavírus. Evidencia a má gestão e ineficiência da Secretaria Municipal de Saúde.

 

Os trabalhadores da saúde pública municipal de São Paulo querem condições dignas e seguras de trabalho para salvarem vidas e voltarem para suas casas sem o risco de adoecer suas famílias."

Foto: Felipe Santos