Saúde

10 de Agosto de 2022 - 16:08

Organização Social demite trabalhadores do Hospital Brasilândia e quem paga a conta é a população

Após dois anos e meio arriscando suas vidas na pandemia, trabalhadores são demitidos com a troca de organização social no Hospital Brasilândia. Alguns foram recontratados, mas com salários inferiores

Sindsep no final do mês de julho, recebeu informações de que o Hospital da Brasilândia estaria demitindo os seus trabalhadores e trabalhadoras, alguns por e-mail, outros em meio a atendimento, não poupando nem os pacientes.

 

Segundo informações de alguns veículos de comunicação foram mais de 800 trabalhadores demitidos. Essas demissões estão acontecendo, pois o hospital era gerido pela organização social IABAS e agora será pela Associação Saúde em Movimento. Essa troca de gestão saiu publicado em Diário Oficial no dia 3 de agosto.

 

Ainda há informações de trabalhadores o hospital encontra-se praticamente fechado uma vez que o quadro de funcionários está em 80% e há um aumento na demanda no pronto socorro, que foi aberto para o atendimento da comunidade, com inauguração em 25 de julho, 2 anos e meio após ficar pronto.

 

O Hospital Brasilândia foi entregue em maio de 2020, no início da pandemia de Covid-19 e segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, se tornou referência para os atendimentos de pacientes com a doença. Entre o fim de 2021 e início de 2022, a unidade foi fundamental para atender o aumento no número de casos de Covid provocados pela variante Ômicrom e os casos de gripe causados pelo vírus Influenza.

 

Contratos precarizados

 

Alguns dos trabalhadores que foram demitidos receberam uma ficha de admissão para trabalharem para a nova OS. No entanto, os contratos são precarizados, sendo que a proposta para muitos é com redução de até 50% do salário e retirada de diretos como a insalubridade.

 

Segundo informações de trabalhadores enviadas ao Sindsep, no dia 03 de agosto, os colaboradores que iriam continuar atuando no hospital foram chamados para preencher uma ficha e informados de boca o valor dos salários sem nenhum contrato. No dia 06 de agosto deram início aos exames admissionais e estes profissionais estão trabalhando sem contrato e sem saber a real diminuição de seus salários.

 

O coordenador da Região Noroeste pelo Sindsep, Fabiano de Oliveira, acredita que a precarização e a privatização dos vínculos de trabalho é algo geral em se tratando de organizações sociais. Há uma rotatividade muito grande dos profissionais que atuam em todos os equipamentos da região. As demissões injustificadas, a falta de transparência e acesso à informação é percebido nestes locais.

 

Fabiano ainda afirma que ao analisar os contratos de gestão pelas OS, percebe-se que elas estão bancando indenizações para estes profissionais demitidos. O dinheiro para este fim saí dos cofres público, assim como o que é gasto com contratações. O contribuinte/municipe  acaba pagando a conta duas vezes e ainda ficam sem o serviço. A estabilidade do servidor é a estabilidade do serviço e a garantia de continuidade.

 

“Percebemos que a única forma de consolidar as políticas públicas de atenção à saúde é com a realização de concursos públicos. Porque a estabilidade do servidor é na verdade instabilidade do serviço, é saber que ele vai funcionar sem interrupção e sem prejuízo”, afirma o dirigente.

 

Comunidade é que mais sofre

 

 Na pandemia em 2020, moradores da Brasilândia criaram o movimento “Saúde da Brasilândia pede Socorro”, para que o hospital, luta de tantos anos da comunidade, fosse aberto para o público, uma vez que o prédio estava pronto, porém fechado. Na época a região era uma das mais afetadas pelo Coronavírus e precisava recorrer aos hospitais de campanha. Luta essa que acabou por tornar o hospital referência no tratamento da Covid-19.

 

Segundo, Lili Souza Silva integrante do movimento, além da luta para que o hospital fosse aberto, era para que fosse administrado pela Prefeitura com servidores concursados. Pois assim a população poderia ter controle de como o dinheiro público está sendo gasto. Como também, todo mundo sabe que ao ser gerido por uma organização social, a saúde da população é a última coisa que importa e o lucro sempre está em primeiro lugar. Por isso para ela não surpreende as demissões realizadas pela organização social.

 

“Para quem mora na região é cruel. É a nossa saúde e não tem projeto, um hospital não é um prédio. Precisa ter um projeto. Quando você põe uma empresa privada para gerir dinheiro público, a última coisa é cuidar da saúde do povo, diferente do serviço público”, afirma Lili.

 

Ainda segundo Lili, o hospital começou a ser construído no início da gestão do prefeito João Doria e finalizado em março de 2020, no entanto, quem havia realizado o projeto e conseguido a verba foi a gestão do então prefeito Fernando Haddad. Quando as obras estavam finalizadas o prédio ficou fechado. Mas após muita luta da região foi aberto para tratamento da Covid, se tornando referência para o estado todo.

 

A unidade conta com aproximadamente 350 leitos e encontra-se numa região central da Brasilândia e de fácil acesso. O hospital tem capacidade para se tornar referência na cidade de São Paulo e ter um pronto socorro de ponta.

 

Por isso o movimento Saúde da Brasilândia pede Socorro, tentará realizar uma mobilização no bairro para exigir que o hospital vá para a administração direta e que lá trabalhem servidores públicos concursados. “Nossa luta é para que o hospital vá para a administração direta, pois não importa para qual OS vai, todas são péssimas. Não vê a gente como vidas, mas como lucro” finaliza Lili.