Saúde

04 de Agosto de 2020 - 07:08

Profissionais do HSPM não recebem auxílio alimentação e são submetidos a refeitório no sótão

Decisão de transferir refeitório foi unilateral da gestão e penaliza trabalhadores que ganham menos, de acordo com o Sindsep.

Os trabalhadores do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), na região central de São Paulo, denunciaram ao Sindsep que a gestão não garante local adequado e digno para fazer a refeição, tampouco auxílio-alimentação nesse mês de agosto.

 

Segundo os profissionais que pediram sigilo de identidade por medo de retaliação, entre 1º e 31 de agosto o refeitório e o acesso ao Serviço Técnico de Nutrição e Dietética estarão fechados pela reforma na unidade hospitalar e a Superintendência destinou uma área insalubre, no último andar do hospital, para o refeitório.

 

No comunicado, a Superintendência afirma que o auxílio-refeição para este mês será concedido no final de agosto. Até lá a maioria dos trabalhadores, que recebe salário inferior a R$ 1500, não sabem onde irão se alimentar?

 


Diferente da foto do comunicado interno, o espaço improvisado no 14º andar é pequeno para os cerca de 500 profissionais que fazem diariamente sua refeição dentro do hospital. O espaço conta apenas com uma mesa e oito cadeiras, infiltrações em paredes descascadas e sujas, ausência de ventilação adequada, não há geladeira para armazenar as marmitas e nem pia para limpeza dos pertences.

 


 


“A gestão comunicou que a partir de 1º de agosto o refeitório estaria fechado, então seria garantido o auxílio-alimentação, no entanto esse valor em pecúnia só virá no final do mês, o que significa para uma parcela grande de trabalhadores trazer marmita, principalmente os que ganham menos. É inaceitável submeter profissionais a fazer sua refeição em condições tão indignas e insalubres”, ressaltou Flávia Anunciação, auxiliar de enfermagem do HSPM e diretora do Sindsep.
 

Área com dois fornos microondas para aquecer as marmitas nas mesmas condições da "copa".


De acordo com a dirigente, os trabalhadores foram surpreendidos pela decisão unilateral da gestão.

 

“Anteriormente, os trabalhadores que não tinham como se alimentar em sua estação de trabalho, utilizavam uma área no 3º andar, que era da fisioterapia, onde havia mesas. Com o anúncio da destinação do valor do auxílio em dinheiro, eles transferiram para essa área o refeitório. É como se a gestão considerasse que os trabalhadores já tivessem o dinheiro para comer fora do hospital e eles não têm. A realidade da maioria dos trabalhadores é outra, eles trazem marmita de casa. É tamanha a indignidade disso e acredito que, sanitariamente, até um risco. Quem do organograma da instituição, a gestão submeteria a fazer a refeição nesse local?”, questiona a dirigente.

 


Espaço no 3º andar, da fisioterapia, onde havia mesas e era utilizado pelos profissionais antes da transferência.


Porta do "refeitório" exibe cartaz amarelado indicando a importância de manter a limpeza do ambiente.

 

No corredor de acesso ao "refeitório", vários sofás sujos para o "descanso" após o almoço.

 

Para Flávia, os profissionais que ganham menos serão os mais penalizados. “Os trabalhadores que prestam serviço na saúde, são linha de frente no atendimento aos casos de Covid, trabalhando sem folgas, sem férias, exaustos em suas jornadas, mas ainda seguem firmes no atendimento àqueles que precisam. São heróis da saúde e merecem respeito”.