Saúde

13 de Março de 2019 - 11:03

Reunião de trabalhadores do SAMU com secretário de Saúde não dá conta do problema

As propostas do governo são insuficientes e os trabalhadores querem a suspensão do processo de reestruturação do SAMU para que ele seja melhor discutido

Foi realizada na tarde, desta terça-feira, 12 de março, uma reunião entre os trabalhadores do SAMU de São Paulo, o secretário municipal de Saúde (Edson Aparecido) e o vereador Camilo Cristófaro.

 

Essa reunião foi fruto da mobilização dos trabalhadores que nos últimos meses vem questionando a piora nas condições de atendimento à população, levada a cabo pelo processo de reestruturação do SAMU: por meio de manifestações e intervenções em audiências públicas, os trabalhadores se fizeram ouvir pelo poder público.

 

A reunião foi chamada pelo vereador Cristófaro, sendo que a mobilização e a participação dos trabalhadores nesta, foi decidida em assembleia chamada pelo Sindsep, na última sexta-feira, 8 de março.  

 

Cerca de 50 trabalhadores e trabalhadoras do SAMU permaneceram, em protesto, na entrada da SMS, enquanto uma comissão dos trabalhadores participava da reunião que estava ocorrendo no gabinete do secretário.

 

Na reunião, os representantes da Secretaria fundamentaram o projeto de reestruturação, sendo que os trabalhadores colocaram que a remoção atabalhoada de ambulâncias e trabalhadores do SAMU para unidades de saúde sem condições adequadas gera diversos riscos ao atendimento à população:

 

1- Não há estrutura física para que se faça a correta higienização de equipamentos, ambulâncias e uniformes dos trabalhadores;

 

2 - Haverá locais com concentração muito grande de ambulâncias (como na Avenida Voluntários da Pátria, onde 9 ambulâncias se agruparão em uma distância da 2 quilômetros) e locais de “vazios assistenciais” (como as regiões de Sacomã, Marsilac e Vila Maria, que deixarão de contar com Bases do SAMU);

 

3 - Com o chamado “espelhamento de ambulâncias”, a cidade de São Paulo contará com apenas metade das 122 ambulâncias do SAMU, já que cada “ponto de assistência” contará com 2 ambulâncias, só que uma funciona somente no período diurno e a outra funciona exclusivamente no período noturno.

 

A partir da apresentação destes e de outros problemas que afetarão diretamente a população paulistana, foram acordados os seguintes encaminhamentos:

 

  • O secretário da Saúde junto com a administração do SAMU, se comprometeu a visitar, na próxima semana, os pontos de assistência mais precários e pensar numa solução para o problema da precariedade das estruturas físicas;

 

  •  Em relação aos problemas relacionados às mudanças de jornadas e às movimentações dos trabalhadores, que alteram os locais de trabalho, não houve disposição de mudança por parte do governo;

 

  • O secretário afirmou ainda que está em andamento o processo de aquisição de macas para as unidades hospitalares e de pronto socorro.

 

Para os trabalhadores do SAMU e para o Sindsep, este é um encaminhamento insuficiente. De acordo com fala dos trabalhadores que estiveram presentes na SMS, há que se suspender o processo de reestruturação do SAMU para discutirmos os seus termos com a seriedade que este serviço precisa.

 

 Jogar os trabalhadores em locais em que eles não conseguem fazer todos os procedimentos de higienização, onde eles não conseguem se recompor dos atendimentos é gerar risco de contaminação.

 

 O SAMU é um serviço de urgência e emergência, então a disposição espacial de suas bases não pode ser a mesma da disposição das unidades de atenção básica (como AMAs e UBSs). Isso é levar o SAMU para longe de onde ele precisa estar, é aumentar o tempo de resposta, é aumentar inaceitavelmente o risco de mortes evitáveis. Essa descentralização pode significar mortes.