Saúde

11 de Agosto de 2020 - 16:08

Riscos que enfrentam os trabalhadores do SAMU para oferecer atendimento na gestão Doria/Covas

Fecharam bases e transferiram para locais mais distantes e sem a adequação necessária para comportar as equipes, ambulâncias e higienização dos equipamentos após atendimentos, isso tem causado muitas reclamações e transtornos para os profissionais.

No final de julho, o Sindsep já havia publicado denúncias de trabalhadores de seis bases do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) na cidade de São Paulo sobre as condições precárias, falta de insumos para realizar atendimentos, locais insalubres para a descompressão (descanso dos profissionais), além da ausência de medidas de prevenção contra a contaminação de Covid-19. Essas não foram as únicas, todas as semanas chegam mais denúncias com conteúdos semelhantes.

 
 
 
Base Waldomiro de Paula
 
Na Base instalada no Hospital Municipal Waldomiro de Paula, em Itaquera, zona Leste, não há espaço para estacionar as ambulâncias e motolâncias, nem para desprezar os materiais infectados ou fazer a higienização dos veículos quando retornam de um atendimento. Trabalhadoras não podem tomar banho após o expediente, mesmo enfrentando a maior crise sanitária. O lugar serve para depósito de materiais de limpeza, por sinal em falta de vários dos itens. “Falta tudo aqui para a higienização, até papel para secar as mãos nos banheiros feminino e masculino. Agora, imagine como essa base fica!”, conta um trabalhador que pediu sigilo da identidade.
 
Também faltam servidores, as equipes estão desfalcadas e o local de descanso é pequeno demais para os plantonistas. Outra situação grave, que lembramos aqui, refere-se ao tipo de ambulância que está em atendimento. A ambulância básica em circulação está registrada nos relatórios como Suporte Intermediário à Vida [SIV]. “Já houve reclamação e nada foi resolvido”, denuncia o trabalhador.
 
 
Base no Hospital Mário Degni
 
A base sediada no Hospital Municipal Mário Degni, zona Oeste, os problemas se repetem. “A base não tem espaço para comportar duas equipes, não existe cobertura pras ambulâncias, o banheiro é compartilhado com os funcionários do hospital. Os materiais e rádio de atendimento ficam dentro de nossa sala de descanso. Não temos armários para todos funcionários, nem lugar adequado para lavar materiais ou para higienizar ambulância e os equipamentos”, detalha um dos funcionários que pede pra não ser identificado.
 
Sem contar que as ambulâncias não conseguem saídas ágeis para atendimento, pelos obstáculos e veículos do hospital parados no caminho. 
 
Base Itaim Paulista
 
A equipe que trabalha na Base do Itaim Paulista, zona Leste, relata dificuldades semelhantes às demais. Alojamento muito pequeno, com apenas um beliche, para acomodar até 8 plantonistas e, com o andamento de uma reforma na unidade de saúde onde fica sediada a base, até a falta de iluminação na parte externa do pátio teve de ser enfrentada dias atrás, colocando os trabalhadores em risco de acidentes. No vídeo, é possível conferir o trajeto que os trabalhadores percorriam à noite no escuro.
 
Bases na Sul
 
Na zona Sul, além de bases com falta de insumos, ambulâncias circulam por milagre. Um dos veículos da Base Interlagos tem em seu sistema de arrefecimento óleo ao invés de água. Na Base Anchieta, outra ambulância queima óleo ao sair da garagem, pela falta de manutenção. Sem contar que o portão é estreito para a entrada e saída rápida dos veículos de atendimento do SAMU. 
 
Sindsep
 
Para Charles de Jesus, coordenador da região Leste I do Sindsep, as mudanças das bases do SAMU que, inicialmente, o governo anunciava como melhoria para o atendimento, tem mostrado que o serviço ficou mais lento. “Fecharam bases e transferiram para locais mais distantes e sem a adequação necessária para comportar as equipes, ambulâncias e higienização dos equipamentos após atendimentos, isso tem causado muitas reclamações e transtornos para os profissionais”, cita.