Saúde

30 de Julho de 2019 - 16:07

São tempos nebulosos para a Saúde: Denúncia sobre o sucateamento da UBS Jardim São Pedro

Por Luba Melo

Estive na UBS Jardim São Pedro, na zona Leste de São Paulo, no dia 29 de julho, infelizmente mais uma unidade que passará pelo processo de terceirização, se a gente não lutar.

 

Na Unidade Básica de Saúde, conversei com os servidores em seus setores, agentes de apoio, agpps, enfermeiras, farmacêuticas, auxiliares de enfermagem, entre outros.

 

Estes profissionais vivem há alguns meses com o terror da possibilidade de terceirização. No processo de entrega para as Organizações Sociais, das unidades de Saúde, Bruno Covas abre as portas para empresas como o Santa Marcelina que já visitaram o local para verificar espaço e neste processo os trabalhadores se tornam apenas números que poderão ser disponibilizados a qualquer momento.

 

SARAMPO LOTA A UBS

 

Peguei um dia bem cheio, a sala de espera abarrotada de mães com crianças pequenas e as poucas trabalhadoras visivelmente esgotadas entre um atendimento e outro. Essas servidoras ainda precisam se desdobrar para dar conta de uma demanda imensa, numa época terrível de epidemia de sarampo, simplesmente desumano.

 

E eu que achava que o sarampo havia sido erradicado. Para se ter uma ideia, o estado de São Paulo se transformou no epicentro da doença no país. O sarampo se espalhou aceleradamente, graças aos vírus que chegaram da Europa e Ásia. De cada dez brasileiros infectados no país, oito moram no estado.

 

O SUCATEAMENTO É NÍTIDO

 

Andando ainda pelos corredores é nítido o descaso da gestão Covas com a atenção básica, paredes sujas, material gasto, portas sem manutenção. Isso gera uma grande tristeza, este desrespeito com a população e com os trabalhadores. Total sucateamento do espaço público.

 

Sem contar o número reduzido de médicos, equipe de enfermagem, técnicos. Tudo isso é muito ruim e a população mais vulnerável sem dúvida será a mais afetada.

 

Infelizmente a grande maioria das instituições privadas, não tem nenhum tipo de comprometimento com a saúde pública. Algumas, inclusive estão enfrentando ações de investigação por irregularidades nos serviços prestados em hospitais e unidades básicas de saúde. Modelo implantado há 20 anos no país mostrou que não serve aos interesses da população.

 

O DESMONTE DO SUS

 

Estamos vivendo um momento de política para poucos, poucos com recursos para poder pagar. Enquanto isso, o SUS se desfaz nesta política nefasta de estado mínimo que comprometera uma geração inteira de meninos e meninas, que terão suas vidas ceifadas sem saúde pública de qualidade.

 

É impossível mensurar a importância de uma Unidade Básica de Saúde para a comunidade, onde as pessoas moram, trabalham, estudam, passam uma vida inteira. As UBSs são responsáveis pela prevenção, diagnóstico, redução de danos, manutenção da saúde, entre tantas outras funções.

 

Triste pensar na possibilidade de que as pessoas paguem por serviços essenciais e que isso fará parte de nossa realidade daqui há alguns anos e poucos sobreviverão com essa política de retirada de direitos.

 

A LUTA CONTRA A TERCEIRIZAÇÃO

Temos grandes desafios pela frente, um deles é entender que está não é uma luta isolada de uma unidade ou outra. É uma luta conjunta de toda classe trabalhadora e do serviço público, que vem sofrendo com o desmonte do Sistema Único de Saúde.

 

Esta luta é das UBSs, dos Hospitais, das Farmácias, do SAMU, das Escolas, dos CRAS e CREAS, e de tantas outras unidades que passarão a ser geridas por organizações sociais se a gente não fizer um baita enfrentamento a essa política. Política essa que não pensa na população, que não pensa nos mais pobres, que não pensa naquela mãe com criança doente na fila de atendimento.

Não as terceirizações! Vamos resistir!