Saúde

05 de Outubro de 2022 - 16:10

Sindsep cobra da SMS condições de trabalho seguro para autoridades sanitárias garantirem inspeções na cidade

Por Cecília Figueiredo, do Sindsep


A direção do Sindsep segue acompanhando o caso da servidora baleada na manhã de terça-feira (4/10), quando realizava uma inspeção sanitária em uma padaria da zona norte. O autor dos disparos, um idoso de 81 anos que era proprietário da panificadora Pão de Ló, na avenida General Ataliba Leonel, no Tucuruvi, faleceu nesta quarta-feira (5/10), no Hospital do Mandaqui.
 
Testemunhas informaram, na terça (4/10), à polícia que o dono do estabelecimento teria discutido com a autoridade sanitária que executava seu trabalho de inspeção e em dado momento sacou a arma, atirou contra a fiscal e em seguida disparou contra a própria cabeça.
 
Os motivos ainda são desconhecidos. Policiais militares da 3ª Companhia do 5º Batalhão foram acionados via Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) pelo motorista da Vigilância Sanitária, que estava aguardando do lado de fora.
 
O Sindsep reforça a solidariedade às fiscais sanitárias, trabalhadores(as) da UVIS Santana e a todos profissionais de Vigilância em Saúde que realizam seu trabalho técnico para a proteção da saúde pública. 
 
Sheila Costa, coordenadora da Região Norte do Sindsep, acrescentou que o sindicato também está oferecendo apoio ao motorista terceirizado, que estava na inspeção. "Orientamos a busca pelo Centro de Referência de Saúde do Trabalhador, porque é uma situação de forte abalo emocional em todos os envolvidos e produzida pela gestão  Covas/Nunes".
 
A direção também lembra que a tragédia acontece num contexto agudizado pela naturalização do uso de armas, apologia à violência e quebra de regras sanitárias na sociedade, que estão nas narrativas dos atuais governos municipal, estadual e federal.
 
A secretária de Trabalhadores(as) da Saúde do Sindsep, Flávia Anunciação, denunciou ainda que o crime ocorrido precisa de um posicionamento da Secretaria Municipal Saúde e defesa imediata das trabalhadoras agredidas no exercício de suas funções. 
 
"Vivenciamos as consequências do desmonte e perda de autonomia de todo o Sistema de Vigilância em Saúde promovida pelos governo Covas/Nunes. A Secretaria Municipal de Saúde precisa garantir segurança e condições de trabalho para não expor ao risco quem realiza a fiscalização das condições sanitárias no município de São Paulo". 
 
O desmonte de Coordenação de Vigilância em Saúde, em 2020, em plena pandemia de Covid-19, agravou a sobrecarga de trabalho, sem a reposição de RH capacitado, provocando uma desassistência e um desrespeito à população de São Paulo.
 
"Estamos expostos a uma situação de periculosidade, após o decreto que desmontou a Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) do Município de São Paulo, em 2020, plena pandemia. Fato negado pela gestão, que se recusa a reconhecer a periculosidade do exercício das atividades de fiscalização das autoridades sanitárias”, acrescentou um trabalhador do órgão, que prefere não se identificar para não sofrer perseguição.
 
Outro trabalhador da Covisa relatou que nas inspeções noturnas falta respaldo administrativo, estrutural, além de serem realizadas fora do horário habitual dos servidores. “Essas ações são legitimadas por coordenadorias como estratégia de negativa de plantões extras e condições de trabalho. A gestão não garante nem mesmo o crachá de identificação dos funcionários, obrigatório por lei”.
 
Ainda ontem (4), a direção do Sindsep solicitou uma posição da Secretaria Municipal de Saúde, sendo agendada a reunião da mesa de negociação para esta quinta-feira (6/10), onde será cobrada soluçõ para a falta de condições de trabalho dos servidores(as) da Covisa.