Saúde

16 de Julho de 2020 - 17:07

Sindsep reforça ato de alunos em defesa da Escola Técnica de Saúde Pública Prof. Makiguti

Escola, que nasceu em 2004 para ser uma universidade de saúde pública, vem sofrendo ataques de governos tucanos desde 2007. Alunos pediram que governo Covas não sancione PL 749

Por Cecília Figueiredo, do Sindsep
 
 
“A Makiguti é nossa!”, foi o que advertiram alunos, professores, lideranças, conselheiros gestores de saúde e comunidade moradora de Cidade Tiradentes, extremo leste de São Paulo, no protesto realizado nesta quinta-feira (16), em frente a Escola Técnica de Saúde Pública Professor Makiguti, ameaçada pelo governo Bruno Covas de ser extinta pela aprovação do Projeto de Lei (PL) 749/19. 
 
O PL, aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo em 24 de junho, inclui a extinção de várias autarquias, entre as quais a Fundação Paulistana de Educação, Tecnologia e Cultura – Fundação Paulistana, mantenedora da Escola Municipal de Saúde Pública Professor Makiguti.
 
"O que para alguns é número, para nós é transformação de vida"
 
“Somos contra o PL 749 e a favor dos alunos. Nós, alunos, estamos preocupados com o futuro incerto da escola. Nos tiraram a mantenedora, a gente não tem uma previsão orçamentária, se tem não tá claro. A gente quer que seja explicado: quem irá manter? A qualidade está garantida? Os empregos dos profissionais estão garantidos? Temos a preocupação de que venham profissionais que não são da área de saúde. Nossa preocupação é com o desmonte gradual da escola”, afirmou Rodrigo Moreira, representante da Comissão de Alunos da Escola Makiguti, que está no 3º ano de Análises Clínicas, curso que somente em sua sala tem 46 outros estudantes.
 
 
Rodrigo Moreira, representante da Comissão de Alunos da Escola Makiguti, cursa 3º ano de Análises Clínicas
 
Um abaixo-assinado virtual já reuniu mais de 13.500 assinaturas, com apoiadores da comunidade e ex-alunos. “O que para alguns é número, para nós é transformação de vida. Daqui saem muitas pessoas empregadas, lutando pelo SUS, sistema mais do que necessário nesse momento de pandemia. Esse é um ato em favor da educação e da saúde”, acrescentou o representante.
 
Antes de iniciar o ato, João Batista, secretário de Imprensa do Sindsep, orientou o distanciamento entre os presentes, além do uso de álcool para desinfectar o microfone, e explicou os objetivos do PL 749, que ameaça a extinção de 15 autarquias que coordenam serviços da Funerária, Educação, Cultura e Saúde. 
 
Defesa da escola pública
 
Ao falar da importância da escola, que reúne seis cursos e já formou mais de 10 mil jovens hoje empregados em UBS, hospitais, clínicas e laboratórios, o coordenador da Região Leste II do Sindsep, Ejivaldo do Espirito Santo, disse que o objetivo do projeto do governo Doria/Covas é a transferência de dinheiro público para a iniciativa privada. “Queremos que a Escola continue funcionando como pública e municipal, e o município cumpra sua função de gerir os recursos públicos”.
 
 
"Queremos a Escola funcionando pública e municipal", defendeu Ejyvaldo.| Fotos: Cecília Figueiredo
 
Vereadores salientaram a importância do equipamento para a saúde pública e para a cidade, além do golpe do Executivo em apresentar o PL 749 sem ouvir a comunidade, sem responder aos questionamentos feitos pelos parlamentares e numa sessão virtual, em razão da pandemia. Alguns defenderam a continuidade da mobilização como única possibilidade de garantir os recursos no orçamento para a manutenção do equipamento, assim como que professores e direção não sejam perseguidos pelo governo.
 
Emanoele Alves, aluna do curso de Análises Clínicas, desmentiu a secretária de Desenvolvimento Econômico, Aline Cardoso, que dias atrás afirmou numa live que era fake news a ameaça de fechamento da escola. “Por que não nos chamam para conversar, tirar nossas dúvidas? Parece que querem desestruturar a educação na periferia. Queremos ser ouvidos, somos sociedade civil”, disse Alves, ao lembrar que a escola é conquista da mobilização popular e a única que tem em sua grade um curso sobre o Sistema Único de Saúde. Ana, técnica de farmácia formada pela escola, reforçou o alerta: “passei aqui antes de ir trabalhar, para dizer que isso aqui não é fake e que iremos continuar juntos nessa luta”.
 
Emanoele Alves, aluna do curso de Análises Clínicas.
 
Na mesma linha, a professora Simone Rego, deu exemplos dos ataques do atual governo contra a juventude. “Havendo privatização, queda da qualidade do quadro de funcionários, como vai ficar essa escola? E não é só a Fundação Paulistana que está sendo atingida pelo PL 749, mas o Centro de Formação Cultural da Cidade Tiradentes, que cria possibilidade de vários jovens formados, no entanto os jovens monitores já estão sendo realocados. Estão querendo pintar de cinza o grafite que foi feito pelos artistas da Cidade Tiradentes. Esse é o diálogo que o governo tem com a juventude: zero!”. 
 
Fabiana Albuquerque, estudante do curso de Hemoterapia, fez um apelo para que o PL 749 não seja sancionado. “Essa escola é a oportunidade de algo melhor para nós, de termos uma profissão. Assim como eu, que sou mãe de família, tem muitos pais e mães de família que estudam nessa escola e não só da Cidade Tiradentes, mas de Osasco, do Grande ABC, Itaim Paulista, Ferraz de Vasconcelos…. Será privatizada essa escola? Os cursos seguirão sendo de qualidade?”.
 
 
"A escola é a oportunidade de algo melhor para nós, uma profissão", disse Fabiana, da Hemoterapia
 
Ex-alunos também fizeram um resgate sobre as sucessivas tentativas dos governos do PSDB desmontarem o equipamento, inaugurado em 2004. “Aqui estava prevista uma universidade de saúde pública, mas em 2007 o governo do PSDB, então José Serra, tentou desmontar. Só havia o prédio, placa e nenhuma estrutura. Hoje querem acabar com a única escola técnica pública de saúde em São Paulo”, resgatou Serafim Alves Ferreira, formado como técnico em gestão pública, na primeira turma.
 
Lideranças comunitárias também criticaram a retirada de políticas públicas. “Estamos nos organizando e a comunidade virá com tudo para apoiar esses alunos”, reiterou João da Cadesc.
 
'Retomar o que é do povo para o povo', essa é a disposição dos manifestantes. 
 
No encerramento do ato, o presidente do Sindsep, Sérgio Antiqueira, enfatizou que os desmontes e ataques à população contra o que é público se tratam de uma decisão política do PSDB. “Esse PL 749 foi pensado como reforma administrativa no ano passado, antes de uma pandemia. Agora depois da pandemia, que interesses têm quem votou com urgência em favor de um projeto às portas das eleições? Tem que ter Comissão Parlamentar de Inquérito, tem que investigar esse gasto de dinheiro público. Temos que fazer muito barulho e incômodo para eles. Se a gente derrubar esses projetos, no momento da eleição, a gente retoma aquilo que é do povo e para o povo”, frisou Antiqueira.