Saúde

07 de Outubro de 2020 - 14:10

Sindsep vai questionar direção do Hospital Saboya sobre condições inadequadas, falta de trabalhadores e contratos terceirizados

Decisão foi tomada em plenária virtual chamada pelo Sindsep, que ouviu relatos de cerca de 40 profissionais da enfermagem e médicos

Servidores públicos do Hospital Municipal Dr. Arthur Ribeiro de Saboya (ou Hospital do Jabaquara), na zona Sul da capital, denunciam ao Sindsep falta de condições de trabalho, assédio moral por parte da coordenação e o agravamento do processo de terceirização da unidade hospitalar após a gestão municipal ter aprovado o projeto de lei 749 que liquidou 10 órgãos municipais, entre os quais a Autarquia Hospitalar Municipal (AHM), responsável por 11 hospitais municipais, como o HM Jabaquara.
 
Cerca de 40 servidores do hospital – palco de várias mobilizações organizadas pelo Sindsep este ano devido à falta de equipamentos de proteção individual para o atendimento da Covid-19, adoecimento e morte de trabalhadores –, participaram na semana passada (2/10) de uma plenária online, onde disseram estar dispostos na elaboração de um dossiê sobre as condições do hospital.
 
Luba Melo, secretária de Atenção à Mulher Trabalhadora e coordenadora de região Sudeste do Sindsep, já solicitou por meio de ofício o agendamento de uma reunião com a gestão, RH e diretoria de Enfermagem do Hospital Dr. Arthur Ribeiro de Saboya, para questionar os problemas de assédio e perseguição que profissionais da enfermagem e médicos disseram sofrer.
 
“A nova coordenadora de enfermagem da unidade de internação age de forma ditatorial, ou seja, determina e cumpra-se. Não ouve e nem explica o porquê das medidas que adota. Até hoje não se apresentou para a equipe de enfermagem. Qualquer contato com ela deve ser agendado”, diz um servidor, que não será identificado por temer retaliações.
 
Segundo ele, a falta de diálogo com a coordenadora tem acarretado muitos problemas no trabalho dos servidores. “A comunicação é restrita ao grupo de whatszap que ela criou”.
 
Outros servidores confirmam a forma arbitrária da coordenadora de enfermagem. “Ela quer que guardemos nossas bolsas e pertences nos armários, porém todos estão trancados com cadeados. Se a gente sobe com as bolsa, acham ruim. Um dos maiores problemas nesse momento é a coordenadora”, relata outro servidor que pede para não ser identificado.
 
 
 
A falta de espaço para descompressão, alojamento para descanso, previsto como direito em lei, também foi pontuado pelos trabalhadores, assim como invariáveis problemas de sujeira e espaço inadequado da copa.
 
 
Não há espaço suficiente para trabalhadores usarem a copa....
 
...serviço de higiene no local não é frequente.
 
barata na parede da copa
 
De acordo com Luba Melo, o hospital também enfrenta, no processo de sucateamento da gestão, urgência na contratação de profissionais. “Faltam maqueiros, técnicos de gesso, fisioterapeutas para o acompanhamento de pacientes entubados, criação de fluxo para classificação de risco dos pacientes na emergência e profissionais que possam fazer o atendimento a familiares no processo pós-morte”. 
 
O Sindsep vem cobrando desde o início da gestão João Doria/Bruno Covas a realização de concursos públicos, em razão da falta de trabalhadores para as vagas de quem se aposenta, mas nem mesmo o chamamento de servidores candidatos aprovados em concursos na gestão passada foi realizado.
 
Condições de trabalho e atendimento 
 
Na estrutura física, além de melhorias no espaço da copa, há a necessidade urgente de adequação da Enfermaria de Saúde Mental (Observação 3), destaca Luba.
 
Outro objetivo do Sindsep, segundo a dirigente, é realizar uma revisão de diversos contratos do governo com empresas para oferecer serviços de limpeza, tomografia, transfusões e hemoderivados (empresa Colsan). “Na ausência de profissionais contratados, o que está ocorrendo é uma sobrecarga aos funcionários públicos. São os servidores que têm que injetar contraste para a realização do exame de tomografia, transfusões e outros serviços que são contratados. Isso precisa de uma auditoria”.
 
Todas as demandas, segundo Luba, foram remetidas ao Conselho Gestor do Hospital Saboya pelos trabalhadores, no entanto nem tudo avançou. “Queremos somar forças com o Conselho Gestor do Hospital Saboya para garantir melhorias aos trabalhadores e pacientes que são atendidos no serviço. Somos contra a terceirização e não vamos recuar nessa luta”.