Saúde

31 de Março de 2021 - 17:03

Sobrecarga e ameaça a servidores/as que atuam em um Hospital Catástrofe de SP

O impacto dos hospitais catástrofe -- como passaram a ser chamados pela gestão do prefeito Bruno Covas --, conforme passaram a ser classificados, no último mês, as unidades municipais Arthur Saboya (Jabaquara) e Waldomiro de Paula (Itaquera), não se restringe ao imaginário popular. Trabalhadores e trabalhadoras desses dois hospitais já manifestam os efeitos negativos da sobrecarga de trabalho, na fase mais crítica da pandemia, sem leitos, sem medicamentos para intubação, sem tubos suficientes, oxigênio racionalizado e falta de proteção aos profissionais que não pararam em mais de um ano de pandemônio causado pela Covid-19 e desgovernos nas esferas Federal, Estadual e Municipal.
 
Assim como o Hospital Waldomiro de Paula, o Hospital Municipal do Jabaquara foi reclassificado no atendimento, para aumentar a oferta de leitos para pacientes com Covid-19. Somados, os hospitais do Jabaquara, zona sul, e Itaquera, passaram a oferecer 540 leitos para o tratamento de pacientes acometidos pelo coravírus.
 
No Waldomiro, os atendimentos do Pronto-Socorro estão suspensos. Já o Hospital do Jabaquara se tornou misto, com 100 leitos de UTI e 260 leitos de enfermaria para a Covid-19. A unidade segue atendendo casos urgentes, muito urgentes e emergências.
 
EFEITOS
 
Esse processo vem alterando principalmente os profissionais da enfermagem que vêm se deparando com a substituição de seus postos de trabalho e trouxeram ao Sindsep suas queixas. "Eles têm nos relatados das angústias que atravessam, principalmente, frente à ameaça de terceirização do hospital neste processo de readequação para atender os pacientes de Covid. Os trabalhadores estão em um esgotamento muito grande, mas principalmente acuados pela desmotivação, tristeza, descontentamento com os rumos que a gestão vem adotando com a chegada dos técnicos da SPDM e, sem dúvida, isso tornará mais negativo o efeito da situação que estão atravessando", explica a coordenadora da Região Sudeste, Luba Melo.
 
Maura Augusta, RSU do Sindsep no hospital, enfatizou o momento difícil que tem atravessado com os colegas. "Angústia e sofrimento dos servidores públicos da saúde, principalmente da Enfermagem. No momento mais agudo da emergência sanitária, servidores com vasta experiência e formação são descartados por terceirizados com menor experiência na área. Servidor é essencial em todos os momentos e somos militantes do SUS", acrescenta a trabalhadora.
 
Frente a isso, a secretária de Trabalhadores da Saúde do Sindsep, Lourdes Estêvão, e Luba Melo se reuniram, virtualmente, nesta quarta-feira (31), com a diretora de Enfermagem, Priscila Reimao, a diretora técnica, Josiane Motta, e a Representante Sindical de Unidade (RSU), Maura Augusta, para debater as questões levantadas pelos trabalhadores do Hospital do Jabaquara.
 
Durante a reunião, Lourdes Estêvão pontuou os efeitos nocivos da terceirização para trabalhadores, população e financiamento da saúde pública, que estão sendo levados ao Ministério Público e Tribunal de Contas do Município. "Temos a consciência de que o quadro que temos nos hospitais não dá conta do momento que estamos vivendo, onde há um aumento expressivo de demanda. Isso indica que é preciso complementar esse quadro de RH, chamar concurso público e não entregar setores completos para as organizações sociais", defendeu a dirigente.
 
A diretora técnica do HM Jabaquara, Josiane Motta, disse que há abertura para o diálogo com os trabalhadores e que toda terça-feira tem horário para ouvir as queixas. Segundo a gestora, sem o reforço do RH não seria possível cuidar das pessoas. "Sem os funcionários não efetivos não teríamos condições de atender a demanda principalmente de covid", frisou a diretora, ao antecipar que aguarda a aprovação de um plano de trabalho para atendimento de Covid e não Covid pela Secretaria Municipal de Saúde.
 
Na avaliação do Sindsep, a luta é para garantir o investimento, implementação e ampliação de políticas públicas de qualidade para população. "É mais do que a manutenção de postos de trabalho, e nesses momentos de crise como a que estamos atraveassando fica nítida a importância dos servicos públicos e dos servidores. Portanto, não podemos permitir que a prefeitura se aproveite desse momento de fragilidade, onde todos lutam pela vida, para terceirizar o Hospital Saboya, que é de tamanha importância para cuidar da saúde da população", ressaltou Luba.
 
Uma nova reunião foi agendada pelo Sindsep com a direção do Hospital Municipal Dr. Arthur Saboya, no dia 15 de abril.