Saúde

25 de Março de 2020 - 16:03

Trabalhadores da saúde em perigo por falta de EPI na Unidade de Pronto Atendimento de Perus

Denúncias enviadas por trabalhadores mostram a realidade dos equipamentos gerenciados por organizações Sociais da Saúde (OSS) - instituições privadas ou filantrópicas que recebem recursos públicos da saúde, por meio de contratos com a gestão Bruno Covas.
 
 
 
Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Perus, periferia da zona Noroeste de São Paulo, os relatos causam preocupação e medo. Os profissionais de saúde que trabalham no serviço de urgência, com capacidade para atender 16 mil pessoas, servidores e trabalhadores contratados pela SPDM – OSS que gerencia o serviço – receberam orientação no sábado (14) a trabalharem sem máscara por estarem assustando os pacientes.
 
Essa é apenas uma das reclamações dos trabalhadores que estão sendo obrigados pela gestão a trabalhar fora das normas das autoridades sanitárias.
 
Orientação é de uso de um avental "descartável" por turno de 12 horas.
 
 
“Fazem a gente usar uma máscara comum por 6 horas, que é recomendada pela Anvisa para 2 horas, somente quem está na sala de emergência recebe a máscara N 95 para ser usada por 30 dias, sendo que é necessário ter lugar para armazenar e nós não temos. Agora, se você coleta o teste de uma pessoa que está com coronavírus, o ideal é descartar para não correr o risco de contaminação, caso fique alguma partícula de secreção na máscara que não foi percebida. O avental, é a mesma situação, a Anvisa estabelece que seja impermeável, de mangas longas, há todo um protocolo. E agora piorou: o avental é dado para um plantão inteiro (12 horas) somente para quem está na sala de emergência e observação. Na sala de medicação, os trabalhadores ficam expostos”, relata um servidor, ao acrescentar que pelo menos quatro trabalhadores estão afastados por suspeita de Covid-19, por apresentar sintomas.
 
 
Avental recomendado pela Anvisa é impermeável, diferente deste da imagem.
 
 
Recomendação da Anvisa.
 
 
 
 
FUNCIONÁRIOS COM SUSPEITA DE COVID-19
 
Apenas um dos casos suspeitos foi submetido à testagem, os demais apenas afastados por 14 dias.
 
Imagens feitas por usuários da unidade também indicam o perigo para trabalhadores e população da região de Perus que usa a unidade de emergências.
 
Segundo os servidores, equipamentos de proteção individual também não são oferecidos à equipe de higienização (terceirizada) – somente máscara simples, que é dada por outros trabalhadores e a luva dada pela empregadora –, nem ao pessoal da recepção.
 
 
Máscara N 95 somente para trabalhadores da emergência e o uso é para 30 dias, sem local para armazenagem.
 
 
A Prefeitura é a responsável por essa situação. As organizações sociais só pensam nos recursos do orçamento público e não se interessam pela saúde dos trabalhadores nas unidades que gerenciam.