Saúde

20 de Junho de 2022 - 09:06

Trabalhadores e população na luta por melhorias no CAPS Perdizes

Na próxima quarta (22/6), 11h, um novo ato está programado para ocorrer na porta da Secretaria Municipal de Saúde.

Por João Santana, do Sindsep (Texto e fotos)

 

 

 

 

Trabalhadores, ativistas e usuários do Centro de Atenção Psicossocial Psicossocial (Caps) Adulto II Manoel Munhoz, com apoio do Sindsep, realizaram na semana passada um protesto contra a política de precarização a que vem sendo submetido o equipamento de saúde, central para o atendimento de quem tem sofrimentos psíquicos.
 
Localizado no bairro de Perdizes, zona Oeste, o Caps hoje funciona em imóvel com goteiras, vidros quebrados e inúmeros graves problemas, que motivaram a manifestação. 
 
 
 
 
O movimento de saúde reivindicou uma solução imediata para a situação do Caps Perdizes. Dentre os relatos de trabalhadores e usuários, foram denunciados que quatro salas para atendimento estão interditadas, além da farmácia da unidade.
 
Os usuários do Caps Perdizes -- muitos que tem em seu projeto terapêutico o atendimento durante todo o dia tem direito a refeições -- estão desde março sem alimentação, isto porque a empresa que fornecia as refeições rompeu contrato e desde então são os trabalhadores que estão cozinhando com alimentos doados, para não deixar os usuários sem comer. Com isso, o que deveria ser utilizado como espaço de terapia, para oficina de padaria artesanal, hoje foi improvisada uma cozinha.
 
 
 
 
Os diretores do Sindsep, Vlamir Lima e Lira Alli, denunciaram em suas falas que a prefeitura de São Paulo possui em caixa R$ 30 bilhões e não utiliza na melhoria dos equipamentos públicos. 
 
O protesto, iniciado em frente do Caps, seguiu em caminhada pelas ruas do bairro para sensibilizar a comunidade do entorno e denunciar o que vem sendo feito pela gestão Ricardo Nunes. No percurso, os manifestantes gritavam palavras de ordem exigindo a utilização de recursos públicos para a melhoria dos serviços públicos e a garantia pela prefeitura no fornecimento de alimentos aos usuários do Caps.
 
Neusa Duque, servidora que trabalhou por duas décadas e se aposentou no Caps Perdizes, destacou que o desmonte dos serviços públicos acontece nas três esferas, federal, estadual e municipal, desde a aprovação da Emenda Constitucional 95 que congela os gastos em saúde, educação e assistência social por 20 anos. "O serviço público vem sendo sucateado e a área da saúde sofre um impacto gigantesco". Ela avalia que a estratégia de sucatear é proposital para justificar em seguida a entrega do serviço público para as organizações sociais (OSS).
 
 
 
 
Uma verba parlamentar federal no valor R$ 500 mil foi destinada para a reforma do Caps Perdizes, porém até o momento a Prefeitura não realizou a reforma e o prazo para a utilização da verba está se esgotando.
 
O Caps Perdizes foi o segundo fundado no Brasil, na esteira das mudanças da Reforma Psiquiátrica que substitui o modelo asilar de hospícios pelo tratamento mais humano, democrático e comunitário. Integrado à Assistência Básica, o Caps foi um elemento estratégico para a humanização do atendimento em saúde mental e que seu desenvolvimento e expansão fez surgir um novo modelo de saúde mental no Brasil, cada vez mais próximo dos que dele necessitam. O papel do Caps é o de promover, a partir da prestação de serviços de saúde mental e do acompanhamento social, o desenvolvimento da autonomia e da cidadania dos usuários, reintegrando-os à vida social e à convivência familiar.
 
Graças à política de sucateamento que vem sendo implementada pelos governos Doria/Covas/Nunes, hoje o Caps Perdizes, símbolo da luta antimanicomial, da Reforma Psiquiátrica, está se tornando um retrato do descaso com o qual a saúde pública tem sido tratada, caindo aos pedaços.
 
O Movimento Caps Perdizes Resiste e pede Socorro! antecipa que na próxima quarta-feira (22), 11h, realizará novo ato. Dessa vez, a manifestação será na Rua General Jardim, 36 - Vila Buarque, na porta da Secretaria Municipal de Saúde.
 
 
 
 
 
 
Edição: Cecília Figueiredo