Saúde

20 de Julho de 2020 - 09:07

Trabalhadores em hospital referência para Covid estão expostos e aglomerados

Todas as alterações feitas ocorreram no piso térreo, que é a porta de entrada. Chegando no segundo andar, o cenário muda, de acordo com trabalhadores da unidade

Profissionais de saúde do Hospital Municipal Tide Setúbal, uma das referências para o atendimento de casos de Covid-19 na zona Leste, apesar de perseguidos pela direção seguem enviando denúncias sobre a falta de adequação do equipamento para atender e proporcionar condições de trabalho dignas aos servidores municipais.

 

De acordo com funcionários que pedem para não ser identificados, não há adequação no Hospital Municipal Tide Setúbal. O que há são aglomerações permanentes de funcionários. “Todas as alterações feitas ocorreram no piso térreo, que é a porta de entrada. Chegando no segundo andar, o cenário muda. O posto de enfermagem foi transformado em lugar para paramentar e desparamentar, mas é também onde é retirada a medicação pelos profissionais de saúde, já que o local previsto para isso não comporta todos os funcionários da UTI e das enfermarias. Com isso, passamos dia após dia por aglomerações”, diz o técnico de enfermagem.

 

Também há falta de banheiros para todos que atendem no serviço. Apenas dois. O quarto, antes utilizado para isolamento de casos de Covid-19, agora foi destinado ao descanso médico. A copa não comporta servidores e profissionais terceirizados das organizações sociais de saúde, como a UCOT. “É um entra e sai, e o pessoal da limpeza não dá conta de manter limpo, devido à falta de estrutura. É nesse espaço, que depois de higienizado, o pessoal da enfermagem descansa no chão”, conta outra auxiliar que também teme sofrer represálias.


Falta oxigênio nas réguas para atendimento dos pacientes e as camas não estão em condições, por serem muito antigas. “A falta de conhecimento médico e do corpo de enfermagem, contratado pela empresa UCOT, tem levado muitos pacientes a morrerem. Eles não sabem preparar drogas vasoativas, não tem postura pra funcionários de UTI, diferenciando muito o atendimento garantido no Pronto-Socorro, onde quem atende é a equipe da administração direta”.

 

O técnico de enfermagem também relata que há distinção entre o tempo de descanso dos trabalhadores da administração direta e os terceirizados. “Fazem três horas de descanso”.

 

Ainda conforme os trabalhadores, não há protocolos, organização de escalas de plantão e prescrições de médicos que são “verdadeiros fantasmas”, pois nunca aparecem. “O Tide parece ter se tornado um quarto de despejo. Não há critério para a internação. Paciente que tosse já é internado, rebaixa em alguns dias e muitos podem estar se contaminando lá dentro”, avalia.


Para os trabalhadores da enfermagem, é muito triste viver essa situação que, para eles, é desumana. “Esperamos que o Sindsep entre justiça e peça uma sindicância nesse hospital. Os testes rápidos só estão sendo feito com os profissionais terceirizados, não com os concursados”.

 

Unidade dos Trabalhadores para garantir melhorias

 

O coordenador da Região Leste I do Sindsep, Charles Monteiro de Jesus, lembra que várias medidas, atos e reuniões vêm sendo realizadas com trabalhadores do hospital, no entanto é imprescindível a unidade dos servidores públicos para garantir melhorias no trabalho.